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O Pai Inácio é como Nárnia?

por jul 20, 2026Estilo de Vida0 Comentários

Você conhece o enredo das Crônicas de Nárnia. Quatro crianças fogem de uma guerra, se refugiam numa casa de campo, abrem um velho guarda-roupa, empurram os casacos de pele pendurados lá dentro e, sem querer, vão parar num mundo gelado de faunos, feiticeiras e um leão sábio.

C. S. Lewis, autor cristão, escreveu a saga como aventura para jovens, mas ela também já foi lida como alegoria espiritual que representa criação, queda, sacrifício e redenção.

Recentemente descobri um novo significado para essa obra. E ele se conecta, profundamente, com o meu amado Morro do Pai Inácio.

A descoberta veio de uma leitura. Folheando Montanhas da Mente, de Robert Macfarlane, um livro inteiro dedicado à nossa fascinação pelos lugares altos, encontrei uma frase que me parou: “Ir às montanhas”, escreve ele, “é como empurrar casacos de pele e chegar a Nárnia”.

Foi uma epifania.

As reflexões do escritor britânico vão perfeitamente ao encontro do que eu sinto em relação ao Pai Inácio. 

Uma ida ao Pai Inácio se assemelha ao descortinar de um portal para outra dimensão — Foto: Ilustração gerada por IA.

A ida ao morro parece só uma brincadeira. Você acha que vai viver uma pequena aventura, ver a paisagem, guardar umas fotos e ter um relato para contar. Mas não é isso. Quer dizer: não é só isso.

Lá em cima, a noção de tempo se altera. Os sentidos falham: a audição não funciona bem, o frio anestesia o tato, a voz sai distante e insignificante quando tentamos falar. Só a visão permanece acurada – isso quando a luz do Sol não cria uma miragem.

Diante dos nossos olhos, as fendas das rochas parecem revelar pequenos mundos e ecossistemas escondidos há milhares de anos. E a visão do alto revela uma cartografia inesperada: árvores viram tapetes, estradas viram lâminas finas e pessoas se tornam invisíveis. 

Tudo isso é, nas palavras de Macfarlane, a experiência mais próxima que um humano pode ter de passar para outro mundo.

O que se sente no alto é, como ele também escreveu, quase sempre incomunicável. Não tem jeito. É preciso ir lá para saber. 

E descer é desconcertante. Assim como as crianças de Nárnia, a gente volta esperando encontrar tudo mudado. Um curto período no alto basta para nos deixar mal-acostumados. Talvez seja por isso que eu goste tanto de visitar o meu gigante de pedra. Ou seria melhor dizer o meu guarda-roupa mágico?

Te espero lá em cima um dia: para um café, para uma conversa e, sobretudo, para viver aquilo que não pode ser dito.

Um abraço chapadeiro,

Lucas da Chapada

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